sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Idiotices do João [24]

Tal é a sensação que devemos lembrar. É abrupto, um caldeirão de introspecções. Não é pretensioso? Algumas falas sobre o que virá após falecimentos, mas é tardio, ou melhor, é dispendioso, não importa que sejamos apenas microssegundos perante a eternidade, estamos vivos e respirando, estamos respirando novas possibilidades. João ensaiou algum novo texto mental enquanto perambulava pelas noites de rua, esse vento frio nosso, o vento escuro e reconfortante, quantas solidões são necessárias para se acalmar uma alma? Há severidades em voga, quando perguntou aquele menino ansioso, a literatura deve criticar!, deve chocar, deve causar!, mas João perguntou, deve mesmo? Há crianças repletas de misericórdias, vocês acham que revolucionarão o mundo? Deve-se acreditar, contudo, deve-se expressar, você conduz uma leitura da sua perspectiva perante novas realidades? Um abraço, minha deusa santa, João aconchegou-se no colo de Maria enquanto ébrio estava, quantas vergonhas, mas por que ela não se intimidou quando João agressivamente invadiu seu espaço? Quem é essa mulher que manteve o olhar? Não havia crespos ou cacheados, mas vimos em outras partes, em outras memórias, aqueles beijos últimos ainda lhe ardem, causaram-lhe uma coisa, quartas e quantas, chamas se entrelaçando, já discutimos isso em outras histórias, é viciante, nós sabemos, sonhamos para quando for contatos ainda mais... entendemos, e revelando demais, pois Maria se aproxima, ou floreia de dança na sua frente, assumindo rostos e formas de deslumbrantes mistérios, abraçou-lhe quando na roda se encontrava, sem o menor pudor, aquele toque, qual delas ali alimentará seu espírito? Não há necessidade, apenas temos fome e não conseguimos descansar, na verdade conseguimos emular tranquilidades, respirações diárias duas ou três vezes, canções aberrantes e urros ocasionais, há pessoalidades em jogo, estamos sempre jogando e nos arriscando, assim gostamos de pensar, quantas palavras são necessárias para descrever um pretenso caos? Aquele João entendeu o José que o entendeu melhor, quantas Marias são necessárias para saciar as chamas famintas do seu espírito? Quantas trocas de combustível prosseguirão para se mesclarem com os resíduos de berros cavernosos que ecoam nas profundezas labirínticas do seu ego? Uma prolixidade clichê essa última sentença, justificando-se inutilmente, uma paz fingida para uma guerra perene, novamente a pergunta, lutar por foco e equilíbrio ou seguir crescendo por meio da liberdade e mudança? Há uma fome de provar, de se engolfar nas chamas que já o envolveram, ou no terremoto que com ele brinca, mas sabemos, para frente não irá, assim ele acha, inverdades, uma promessa, aquele João, conquistar, conquistar, pela arte de si próprio, um orgulho no meio dessa lama de orgulhos estúpidos e melequentos, há fome, mas aquele que não provou, aquela que sustentou o olhar no seu pior momento, o que você acha, meu caro João? Sempre em volta desses assuntos, gostaríamos de renegar, mas alimenta o fogo, aqui estamos, o ego que deseja se esparramar por todo o mundo, o espírito tão cheio de si que mal cabe no próprio corpo, então ele deseja expandir suas perícias, aumentar o nível de habilidade com todos os pontos que ganhou ao longo desta vez, e ele consegue, oh sim, um esforço maior para explorar uma nova faceta até então oculta, perguntaram o que eram os personagens e João admitiu abertamente que eram todos facetas de si próprio, das melhores às piores, então é isso?, admitiremos publicamente que temos sombras em nosso sangue? Ora, mas é por isso que temos o braço esquerdo da escuridão, há de se resplandecer numa espécie de glória sinistra enquanto o braço direito da esperança nos lembra de que é possível, não precisa apenas se remoer das falhas, não, não, aprendemos, quanto mais poderemos?, sempre mais, mais e melhor, há como provar para outro alguém o que você é de verdade?, é possível alcançar o coração de um outro alguém apenas com o compartilhamento sincero de seu próprio espírito? Maria, João se pergunta, qual é o seu rosto? Quem é você?

Quem sou eu?

Nós sabemos, sim, sempre soubemos. 

Ascenda.

E conquiste.

**As opiniões expressas nesse post são de total responsabilidade do seu autor.**

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