sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Synecdoche



“I have never met anyone as long-reaching as him, and I’m not talking about his height”, whispered the student, glancing upon the newfound teacher. Mr. McFellows, 47 years old, 30 in the past and 17 in the future, was able to reach his past – as well as everyone’s – with a slight reach from his mind. Having the most powerful mind of the century, muscles straight from the Greek Gods, and eyes that could be easily mistaken for arctic pools, he was unmatched. No one could believe it, and yet there he stood, calm as a broken sea, sturdy as a tree and welcoming as an apple pie. If you really dove into his eyes, some said, you could go crazy. The waves that built his line of reasoning, the foam that encompassed its structure and the breeze that made everything fall into place questioned any validity. He made you question everything you knew, would like to know or know at this very instant. He had a way of focusing all the different parts of something that never really led you to make a picture on your mind of the whole image. These lists of never ending parts kept floating on the sea and risked drowning daily. But his eyes, as cold, solid, lonely and forgotten as the south pole, his eyes were powerless to connect and to merge this images to cast a body of strength that would eventually coat all things known by men. His eyes, like arctic pools, were able to lie to no one.

**As opiniões expressas nesse post são de total responsabilidade do seu autor.**
**Texto por Fernanda Marques Granato

I didn’t know he was one of us

            As the wind approached the window, everything around the curtains trembled. The shiver could be felt by every pinch of salt that had ever inhabited these surroundings, and it had no intention of leaving.  It was long overdue. Fifty years, some papers acknowledged. Five years, some on-lookers guessed freely, unencumbered by the responsibility of supporting their claims with harvested data. It was no walk in the park, for sure. But the people needed answers, and somebody had to provide it for them, even if the investigation was lacking in the evidence-finding front. Either way, this mild shaking was foreshadowing feelings that later would sprout on the city, being felt later on a global scale. A cat emerged from behind the curtain, being caught mid-sleep by the quake. Even though he didn’t seem to mind, he was somewhat taken by the event, having started to walk in a slightly different pace, and backwards. All the same, no one noticed. Not even the furniture that had changed places considerably to make room for the entrancing madness that usually follows earthquakes. Not even the little girl that was hiding behind the open door, hoping to go unnoticed. Not even the vase with a flower, which was sweeping the floor with the water that had started to multiply by a hundred right after the quake. Not even the dog that, not having noticed the cat, the quake, the flood caused by the flower pot, the changing furniture or the girl, kept on chewing the same shoe string for decades. But the scientist, oh, the scientist, after glancing from the broken window, confirmed his suspicions and pretended to be a shadow, as so not to be blamed for the miserable outcome. I didn’t know he was one of us, and, like one of us, would prefer to go about unnoticed as hell broke loose outside. He must have been one of us, after all.


*Texto por Fernanda Marques Granato.
**As opiniões expressas nesse post são de total responsabilidade do seu autor.**

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

When I grow old


When I grow old, I won’t be buying beef stroganoff for storing in my fridge.
I won’t be worried if I don’t get the joke’s punch line.
I won’t be seen wearing uncomfortable clothing.
I won’t be caught dead doing mandatory things – except growing old.

When I grow old, I won’t be needing my alarm clock.
I won’t be dealing with annoying delivery men.
I won’t be hoping for the best.
I won’t be worried if I fail.

When I grow old, I won’t expect too much of anything.
I won’t lay plans out for others.
I won’t be sorry they didn’t lay any for me.

When I grow old,
I will be at ease with myself, and

I won’t be denied the privilege.


* Texto por Fernanda Marques Granato.
**Protegido pela lei de direitos autorais.
**As opiniões expressas nesse post são de total responsabilidade do seu autor.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Quando o sofrimento bate à porta

 A troca diária de luz por sombra pela qual a porta passava frequentemente já a tinha tirado do sério, fazendo a fechadura ser esquecida fechada. Dessa forma, não havia mais luz, não havia mais mudança, não havia mais barulho, não havia mais troca, não havia mais movimento.
As duas batidas secas na madeira desbotada não incomodavam mais, pois não havia abertura. Não havia aceitação de existência desgastada alguma, de cores pequenas ou de dúvidas fechadas. O incômodo se originava do constante atrito entre o batente e a porta, que nunca foi do tamanho certo. Nos dias úmidos, era muito pequena. Nos dias secos, era muito grande. A angústia gerada pela abertura involuntária era tão grande que todo o ar do mundo entrava, aquietando-se na sala de estar e mostrando a que veio. O sofrimento que o acompanhava era tardio, mas decisivo, e sua presença era forte e habilidosamente constante.
Quando o sofrimento bate à porta, abro logo sem padecer nem evanescer, pois sei que é certeiro e pesado. Sei que pegará a sala em seu pior momento e se aproveitará da sua desorganização, da sua fraqueza e da sua falta de alimentação. Sei que quando o sofrimento bater à porta, nada poderei fazer, a não ser abrir aquela que tenta inutilmente criar uma sombra debaixo da qual tento debalde me proteger.
Apenas poderei me apresentar parcamente para aquele que tudo desfaz, que tudo enevoa e tudo reconfigura.
Apenas terei que me refazer a cada segundo para me reajustar às mudanças feitas por ele, por essa força descomunal que levou a minha porta, levou a minha sala e levou a minha névoa, da qual eu tanto precisava para não me sentir sozinha.
Agora, sem a minha consideração, nada em mim resvala com peso significativo. Sem a minha fraqueza, não posso mais desenvolver meus passos e não sei mais até que sombra já me aventurei. Não sei mais como poderia ter sido esse futuro que não mais será, pois sem porta, sem entrada, sem começo, sem pompa e circunstância, nunca saberei se estou de fato pronta para enfrentar esse mundo inóspito sem sombra, sem porta e sem fraqueza.
Quando o sofrimento bate à porta, sei que só me resta abri-la.
Quando a fraqueza me acomete, sei que ainda tenho uma sombra para encontrar.
Que história somos capazes de contar sem sombra nem luz, sem sofrimento ou conflito? Nenhuma, respondem os filhos do mundo sem sombra.
Quando o sofrimento bate à porta, digo apenas: “Despreparada estou para lhe receber, mas a casa é sua”. Ofereço-me de braços abertos, pois sou tudo o que ele tem a me oferecer. E a ele sou grata. Sofrei-vos!

*Texto por Fernanda Marques Granato.
**Protegido pela lei de direitos autorais.
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segunda-feira, 4 de julho de 2016

Idiotices do João [84]


Ficou bem ruim. Lavou e não lavou nada.
Você não consegue compreender. Desceu até ali pra estender e já se esqueceu que iria aqui falar. Saímos pra conversar. Calma, não revele demais. Você nunca terá tudo o que você quer. Você acha que é o ideal, acha que é possível e capaz. Por que alimenta rancor?
Por que alimenta o que já foi e nunca mais retornará?
Se retornar, então retornará porque assim era para ser.
Tudo depende do que você irá fazer.
Não há conexão. Havia uma avenida cheia. Eu gostaria de ser mais sábio do que realmente pareço ser. Você é realmente um homem negro em um mundo branco? Não podemos desacioar um de outro. A sua posição ficou nítida em poucas falas. É aceite o que você fala, uma vez que não demonstra intolerância pela visão que é diferente da sua.
Porque todos podem pensar exatamente o que quiserem.
Suas palavras são vazias. Gostaria de, novamente, criticar-me antes de ser criticado. Como nunca observo o que veio antes, acabo me repetindo. Dramático. Lembramos do que veio anteriormente, porém não tudo. Você está sendo plenamente honesto? Ninguém jamais entenderá.
Você precisa tanto assim chamar atenção?
Gostaria que Maria gostasse de mim. Isso que eu ia dizer, disse, apaguei mas reescrevi. No fim, você se resume a isso?
Quantas narrativas eu posso fazer sobre viajar até as estrelas sem admitir a minha própria mediocridade? Acho que há outras questões. Eu não consigo dizer tudo. Gostaria que a senhora me admirasse como admira seus outros filhos. Porém, você não consegue provar valor algum, se afasta e finge tolices, se retrai, tem medo de apresentar teu potencial de verdade. Palavras bonitas pra dizer que você é um covarde. Eu ia dizer covarde sem valor, mas as palavras dramáticas de depreciação não funcionam mais. Quantos anos se passaram até a queda. Não está dizendo coisa com coisa. Por que não consegue falar de verdade?
Nós saímos pra conversar. Apenas conversa com as pessoas ultimamente. Onde é que eu estou? Eu valho mais do que moedas ou as moedas que eu ganhava provavam o meu valor. Um homem negro em um mundo branco, sem notas verdes você é o estereótipo ambulante. Ninguém liga para o que você fala e sempre o tratará como o filho mais ridículo de todos.
Você não era assim quando nasceu, tornou-se pior com o tempo. São os ciclos. Nasceu com tanto potencial, disseram. Vamos então contar uma história.
Era uma vez um rapazinho que nasceu sorrindo em vez de chorar. Era o mais gordo dos rapazes de sua idade, e queria conquistar o mundo inteiro porque assim parecia divertido. Só que aí ele se deu conta de que não era tão especial assim porque ninguém é tão singular quanto pensa ser, porém todos possuem o seu devido valor, de uma forma ou de outra.
Tudo que ele queria ouvir eram palavras gentis.
Você ficará esperando que alguém faça algo por você, ou você mesmo vai se levantar e conquistar o mundo com as suas próprias mãos?
Eu quero tudo e mais um tanto.
Ao mesmo tempo, busca uma forma de se motivar sem precisar urrar para o alto. Ah, isso não faz mais, só um grunhido ocasional. Significa que está crescendo.
Não há mais fragmentação. Preste muita atenção. Você é um só e sempre foi. Eu sou um só. Vou conduzir eu mesmo as rédeas insanas da minha própria superestimada vidinha subestimada.
Você é o protagonista da sua própria história. Lembre-se sempre disso.
Espera, que ainda não acabou.
Como vai alcançar tudo isso que você quer?
Sei lá. Se vira.
Vai pensar e fazer sem pensar pensando até que consiga de alguma forma. Mas só vai conseguir se você mesmo agir e fazer por meio do seu próprio esforço.
Então, levanta, caramba!
Fui.

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sexta-feira, 27 de maio de 2016

Idiotices do João [83]

Não tenho o que falar. O barco segue se destroçando, a baleia mutante de sete cabeças continua no seu encalço, o mar de lágrimas se tornou vermelho, o barco se desfazendo em pedaços e você logo irá se afogar. Ojeriza de si mesmo, não pelos motivos apontados, e sim pela sua própria inabilidade em saber lidar com o momento em que vive agora. Deveria ter paciência para esperar, para entender que a fase ruim logo passará, ou compreender que talvez a fase não seja tão ruim assim e que os outros não estão tão bem quanto você achar que estão. Está se anulando novamente, desejando a aprovação dela, sempre precisa que lhe deem o selo. Se esforça tanto para não parecer patético, só que é impossível mentir para si mesmo. Precisa que elogiem para entender; elogiam, mas aí acha que não é suficiente. Ao mesmo tempo, despreza quem corre atrás de elogios. O que você está fazendo? Está de descontrolando outra vez, uma maldita empolgação infantil, não consegue transformar nalguma arte o que sente, a sensibilidade está falhando, você não tem isso, é tudo uma ilusão, você acha que é alguma coisa mas na verdade não é nada, patético ridículo, está aguardando, apenas aguardando, só fracassou, só, só, só, por que essa espiral nunca termina, vai lá e se sente um lixo outra vez, aí precisa vomitar aqui, repetindo as mesmas palavras, a mesma coisa, se esforça tanto para parecer magnânimo, é um baita de um frouxo, espero que ninguém saiba de verdade, o que é que seria pior, descobrirem e sentirem pena ou descobrirem e se afastarem para bem longe, você veste máscaras, você só quer parecer o máximo sem ser, você não serve para nada, você não vale nada, está repetindo, de que valeu toda a descoberta intelectual, está se boicotando outra vez, está se cobrando de forma desumana, sempre faz isso, achando que tem de ser o perfeito e maravilhoso para consertar todas as mazelas do mundo, ninguém se importa com o que você está sentindo, ninguém dá a mínima para o que você acha, converse com o espírito, respire, você precisa ter paciência, respire, o momento irá chegar e você precisa ter paciência e ir fazendo com calma, respire, quanto dignidade você está perdendo, querendo parecer ser sem ser de verdade, respire, faça o que tem de ser feito, se concentra, se concentra na missão. será que você poderia por gentileza para se chicotear a si mesmo? Muito obrigado pela cooperação.


**As opiniões expressas nesse post são de total responsabilidade do seu autor.**

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Todas as mulheres que já fui



Já fui aquela mulher que conhece de perto o chão e as suas entranhas e sabe pouco sobre coisas que vão além da sua saliva.
Já fui aquela mulher que conquistou o chão e passou a caminhar valente pelos azulejos e amarelinhas.
Já fui aquela mulher que se apropriou da linguagem e a fez veículo de comunicação de sua vontade.
Já fui aquela mulher que adotou uma irmã felina e a tinha como uma preciosa amiga que um dia seria humana.
Já fui aquela mulher que achava que o mar tinha fim.
Já fui aquela mulher que conquistou a linguagem em sua expressão escrita, ocupando as avenidas do mundo com seus Ls e os muros de sua cidade com sua garra e seus Rs.
Já fui aquela mulher que participava da roda contando sonhos de um fim de semana.
Já fui aquela mulher que pensava que conta complicada era aquela soma de algarismos de 3 casas no fim do semestre.
Já fui aquela mulher que descobriu que havia iguais iguais e iguais diferentes.
Já fui aquela mulher que perdeu a melhor amiga.
Já fui aquela mulher que usaria aparelho pelo resto da vida.
Já fui aquela mulher que achava que nunca sairia de casa.
Já fui aquela mulher que achava que não precisaria aprender a se despedir.
Já fui aquela mulher que ensaiou uma entrada no mundo do amor.
Já fui aquela mulher que teve um dia de princesa.
Já fui aquela mulher que conheceu a dor da decepção.
Já fui aquela mulher que viveu a perda de alguém muito querido muito antes de seu tempo.
Já fui aquela mulher que teve que ouvir que, a partir de agora, sua vida mudaria para sempre.
Já fui aquela mulher que conheceu o amor de sua vida.
Já fui aquela mulher que começou sua trajetória no mundo da pesquisa acadêmica.
Já fui aquela mulher que foi premiada por uma agência de fomento à pesquisa.
Já fui aquela mulher que viu famílias ruírem.
Já fui aquela mulher que venceu a morte com a vida.
Já fui aquela mulher vestida de branco que entra na igreja 9 dias depois de defender sua dissertação de mestrado.
Já fui aquela mulher apaixonada que hoje é sua.
Um dia, todas as máscaras caem.
E sobra apenas o rosto, em carne viva, tentando se refazer de tanta troca. Você sabe bem como ele é.
É com esse rosto que devo encarar as próximas mulheres que serei.


**As opiniões expressas nesse post são de total responsabilidade do seu autor.**
*Texto de Fernanda Marques Granato protegido pela lei de direitos autorais.