sábado, 10 de outubro de 2015

Idiotices do João [80]


“A vida não é um conto de fadas”.
Eu sou o erro. O erro aconteceu de novo porque de novo eu forcei a barra. Errou outra vez na mesma coisa, mas com uma máscara diferente. Agindo contra a própria natureza. Forçando a barra na insegurança de aceitar o que é de verdade. Não foi feito para isso. Achando que está agindo com coragem, mas está se iludindo de novo. Você não foi feito para isso. Você causa mágoa outra vez, causa medo. Muito medo. Sempre causa medo. Assusta. Um exagero. Você é o exagero. Pretensioso. Um excesso. Você não espera, você exagera. Assusta. Você é o erro. O erro, na melhor das intenções, erra miseravelmente. Outra oportunidade desperdiçada. Você consegue perder em profusão as raríssimas oportunidades. Você se acha o tal. Você se desperdiça. Você renega a sua verdadeira natureza para perseguir algo que nunca terá. Não consegue dormir. Não consegue fazer nada direito. Você é o erro. Você erra ao tentar agir, você erra em tentar agradar, você erra em tentar impressionar, você erra ao respirar. Você deveria ficar quieto no seu canto fazendo apenas o que deve fazer. Você não deve tentar, não deve. Sempre que você tenta, fracassa. Você está patético. Você finge que é alguma coisa, mas você não presta. Você não existe. Por que está se desperdiçando? O que é que você está tentando fazer? O que está tentando dizer? Você comete crimes contra si mesmo. Você ouviu as histórias. Todos os demais erram. Erram, erram, erram. E eles conseguem. Você não. Você acha que ousa, mas acaba assustando e afastando. Você fracassou de novo. Você não se suporta. O que você está tentando fazer afinal? O que quer comunicar? Desajeitado inútil. Para que você serve? Você se arrasta feito um verme, você fracassa, você magoa, você afasta. O que é tudo isso? Está se repetindo. Nada de bom foi feito. Nada foi atingido. A mesma coisa outra vez. O mesmo erro de forma diferente. Para que você serve afinal?
Não irá dormir. Irá se punir. Irá se punir. E o que isso vai mudar?
Quantos anos se passaram e quantos erros se repetem? Por que nunca aprende? Por que continua tentando o que nunca vai conseguir? Por que renega tanto a sua verdadeira natureza?
Por que muda tanto e não muda nada?

**As opiniões expressas nesse post são de total responsabilidade do seu autor.**

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Notícias de Quinta [147]

Sabem que dia é hoje? Isso mesmo, quinta-feira!

E sabem o que eu costumava postar nas quintas-feiras antes de ficar desmotivada e ligar o foda-se?
Isso mesmo, o Notícias de Quinta!

E hoje é aniversário de quem? Isso mesmo, da Kelly. Parabéns Kelly! Muitas felicidades!
De presente pra você, Notícias de Quinta!

Assessora de Deputado bate o ponto e vai embora.
Eu nunca fiz isso na minha vida.
"- Senhora?! Senhora?!"

Mãe vê aparição de seu avô em ultrassom 'protegendo' sua filha, mas eu não vejo nem a bebê, quanto mais fantasma de idoso.
Texto egípcio do início do século IX relata que Jesus teria o poder de modificar a própria aparência para não ser reconhecido. Aumenta pra 3 a lista de poderes de Jesus que eu queria ter. São eles: Transformar água em vinho, multiplicar comida e ficar irreconhecível quando for conveniente.
Família abre capsula do tempo e descobre... Nada! Isso mesmo, absolutamente nada. Quer dizer, na verdade tava tudo estragado porque entrou água na capsula e talvez dê pra recuperar com CIÊNCIA, YO! mas talvez não.
Eduardo Cunha e família têm contas investigadas na Suíça. A ficha cada vez mais suja e esse ser não cai. PQP humanidade.

E, gente, é impressão minha ou só tem notícia ruim ultimamente?
Cansei.

No one that I know does.
**As opiniões expressas nesse post são de total responsabilidade do seu autor.**

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Escritos da sombra


A quem devemos a vida que nos é retirada? A luz que se esvai no vazio? Ao som que não mais ecoa, e vaga sozinho, sem limite ou companhia?
A quem devemos relatar a dor sentida diante da perda de batimento cardíaco? A perda da vida pulsante que vibrava pelos corredores?
A quem chamamos para realizar o resgate do sujeito despedaçado que se encontra estirado entre três pedaços de madeira sem farpa?
A quem recorremos para estancar o sangue? Para reparar o dano? Para preencher o vazio? Para promover aceitação? Para levar à recuperação?
A quem chamamos para nos trazer de volta à vida?
O ar continua a encher o peito, mas não dá a mesma sensação de completude.
O coração ainda bate, mas sem constância, intensidade ou emoção.
A cabeça ainda persiste, mas não vê lógica no escuro e só encontra luz na dor.
A mão lembra do contato, do calor, do amor e do sabor do que agora é só pensamento, é só memória, é só sentimento, é só abstração, e prospera o medo da dor não encontrar fim. Do desespero não ter solução. Do buraco em meu peito só aumentar.
Porque quem dele saiu nunca vai voltar.




*Texto por Fernanda Marques Granato. Protegido pela lei de direitos autorais.
**As opiniões expressas nesse post são de total responsabilidade do seu autor.**

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Notícias de Quinta [146]

Quem voltou, galera? Quem é que voltou?
Isso mesmo. Notícias de Quinta is in da house. Yo!

Eu tive uma série interminável de problemas (que ainda não terminou afinal é interminável) mas depois que meu mestrado naufragou porque furaram o casco do meu barquinho decidi retomar meus projetos pessoais que no fim são mais importantes que qualquer projeto acadêmico.

Por isso lhes trago as notícias do dia:


Pesquisa feita nos EUA revela que houve diminuição do consumo de maconha entre os jovens nos estados em que a droga é legalizada, contrariando o senso comum que diz que "ai meo dels, se liberar as droga só vai ter drogado nas rua os jove não vai mais trabalhar só vai fumar mimimi"

Consumir amendoins, nozes e castanhas diminui o risco de desenvolver câncer, doenças neurológicas e diabetes, diz estudo. Adorei o gif do Peanuts no final da matéria. xD

Algumas pessoas possuem predisposição genética para sorrir. E eu não sou uma delas.

Brasileiro de 31 anos cria jogo com temática de Pipas (aquelas que os moleques empinam na rua, enrolam nos fios dos postes, cortam as cabeças dos motoqueiros...). O aplicativo do jogo já tem mais downloads que o Facebook e o jornalista Gilberto Dimenstein parece bastante empolgado com o sucesso do rapaz. Ouça:


Foi publicada no Diário Oficial a medida provisória que restringe o acesso a direitos trabalhistas entre eles o seguro-desemprego e o abono salarial. Saiba mais: http://www.tvjustica.jus.br/index/detalhar-noticia/noticia/293845

Jair Bolsonaro reclama de 'bolsonarofobia', mas consegue ter PEC da impressão do voto aprovada na Câmara dos Deputados. Não parece mas tenho muita pena desse homem. :'( E pelo que entendi ele dá os projetos ruins pra outros deputados apresentarem e os bons ficam com ele mesmo. haha

Acho que por hoje é só.
Se quiserem que eu comente ou enviar comentários sobre alguma coisa enviem por twitter, email, comentários abaixo, fax ou sinais de fumaça.
Fiquem bem.


Todas as opiniões são de responsabilidade do autor bla bla bla etc. O aviso sumiu sei lá eu o porquê.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Idiotices do João [79]


Respirar é preciso - principalmente quando você está se afogando na poça de vômito da sua alma.
João tentou ficar imóvel para respirar. Tentou parar. Tentou permanecer no mesmo lugar enquanto tremia e se remexia. Espasmos davam saltos. Até quando as ovelhas carnívoras continuariam mordiscando o seu cérebro? João tremia, enquanto buscava andar ereto com toda a dignidade. Estava se afogando no fedor nauseabundo dos seus próprios sentimentos. Rasgar a garganta talvez aliviasse um pouco. Houve algumas tentativas de compreensão, mas o meteoro ia se chocar e estraçalhar do mesmo jeito. De qual matéria você faz parte? Deveria perguntar, mesmo que fosse capaz de pressentir a resposta. O cheiro azul da clareza lhe escapava sempre que se permitia inundar por mais um pouco de pus mitocondrial. Acho que você já pode tirar esses alfinetes todos dos meus olhos, obrigado. A pálida perguntou, se insinuou. A pálida veio, atacou, insistiu. Uma corda bamba, não é mesmo. Nunca mais tocará em corpos nus pálidos. Nunca mais. Quanto mais cedo entenderem isso, melhor. Por que somos obrigados a meias-palavras? Porque as palavras são repletas de força e poder. Porque estão de olho, sempre de olho. Nós sabemos exatamente o que queremos, mas ninguém precisa exatamente saber do que se trata. Nós? Agora, poderíamos dar nomes. Talvez. Avançamos bastante até aqui; poderíamos falar abertamente desta nossa pele? Dia da Consciência Humana, vão dizer. Somos todos. Humanos. Claro que somos. Só que alguns, ao que parece, são considerados mais humanos que outros. Os pálidos são engraçados. Vamos parar por aqui. Quantos rancores somos capazes de esconder antes de inflar pra valer? Temos medo de sermos consumidos. Vou dizer que amadurecer seria ir se importando cada vez menos. Os outros realmente interessam? Estamos parafraseando o amigo que raspou, o grande amigo perseguido por… opa. Vamos parafrasear as palavras do irmão - sim, irmão, meu caro João. Mesmo que elas nos detestem por isso. Está bem. Amadurecer é ir se importando menos com o que os outros pensam e ir causando mais impacto positivo nas pessoas que ama, nas pessoas que querem seu bem e realmente te fazem bem. Sem aspas porque adaptamos. Essa é a sabedoria, meu caro João. O astrofísico famoso nos explicou de forma bastante teatral e contundente os conceitos científicos por detrás dos espíritos. Nós já sabíamos. Nossa pele é ou não é maravilhosa? Não podemos dizer, porque, afinal, somos todos humanos, não é isso? Os pálidos se ofendem. Ops. Não falaremos deles. Somos nós aqui. A irmãzinha mais nova compartilhou o texto sobre a frieza. Você é mesmo frio, meu caro João? Você é mesmo um excesso de sentimentos afetuosos tão transbordantes que é incapaz de se relacionar com a maioria? Não é um tanto quanto prepotente? Sabemos a verdade, ou pelo menos gostamos de imaginar que sim. Vamos respirar, vamos rezar. Com gentileza, sim? Não sobrevivemos ao primeiro dia sem ela? Sim. Íamos cair no desespero, estávamos despencando. Caímos, na verdade. Porque os imprevistos com as pessoas caras a você e que sofrem com a saúde. As pessoas caíram, mas se mantiveram emocionalmente estáveis. Pelo menos aparentemente. Você não se sentiu ainda mais atolado no abismo de solidão, meu caro João? Clichê miserável. Sozinho sozinho sozinho. Ela se foi. Ela foi consumida por anos e anos e anos de rancor causado por traições e injustiças. A pele dela, a nossa pele. Não pode falar porque senão os pálidos vão brigar e falar que somos todos humanos. Mas eu testemunhei os anos e anos de hemorragia emocional se acumulando até consumí-la de vez. Não é doloroso lembrar, meu caro João? Você está sozinho sozinho sozinho porque você não consegue lidar com todo esse excesso de si mesmo com ninguém. Ora. Ora… Se aproximam, não é isso? Se interessam pela imagem… Oh sim. Físico esbelto, diziam. Homem bonito. Aquele que se expressa muito bem por meio das palavras. Que engraçado. E arrogante. Certo. Se admiram com a imagem. Tentam se aproximar. Insistem. Insistem… e então percebem a tempo no que estão se metendo e se mandam para bem longe. Não é isso? Deitam na cama, mas percebem o excesso que você é, e saem correndo. Ninguém pode culpar. Não é culpa de nenhum ser vivo. Nós somos o que somos, não é mesmo, João. Maria disse para… não vamos falar de Maria. Estava pensando, queria trocar palavras, só que não. Quem está testemunhando? Sabe o que é se afundar nessa poça de vômito que, na verdade, é a sua própria alma, meu caro João? As pessoas se apaixonam por imagens. Você seria diferente? Você está sozinho no escuro. No escuro da solidão, você se fortalece. Você rezou para ela, não foi? Você se lembrou que parte da força dela agora faz parte de você. Por isso que você se levanta, mais uma vez. Que bonito. Que raso. Superficial. Gostaria de me expressar de uma forma mais adequada. Está tão obcecado assim em ser, preparem-se para o verbo clichê, ser aclamado como aqueles senhores esquisitões contadores de histórias? Só porque eles falam de forma enrolada e fingem que são visionários e tudo mais e inventam enredos malucos? Você pode fazer isso também, se você realmente quiser. Você já pensou que você é você mesmo e que só você pode contar do jeito que você conta? Você tem seu jeito todo especial, meu caro João. Na cama, riu quando você contou seu objetivo verdadeiro. O que espera de alguém assim? Tem mais é que sair correndo mesmo. Mas Maria compreende, compreende até bem demais, ao que parece. Não fale de Maria agora, sim? Obrigado. Vamos lembrar novamente: você, João, é que é a flor no penhasco. Ninguém vai acreditar, mas não há idealizações aqui. Já parafraseamos isto: não há o que temer, pois o mundo está cheio de decepções. Nós não nos decepcionamos aqui, porque não criamos expectativa, embora criemos, mas já é esperado que as pessoas falhem. Porque é essa a nossa natureza. Você vacilou um montão de vezes, não é isso, meu caro João? Algumas e alguns jamais irão te perdoar. Mas isso faz parte da programação. Qualquer palavra que for dita aqui será odiada ou adorada, depende para quem estamos falando. Não é o esperado? Certo. Já dissemos que estão todos se esforçando o máximo que podem no momento para fazer o melhor possível. Podemos culpá-los por errar? Podemos culpar Maria? Olhe antes para os equívocos que você mesmo cometeu e comete. Não cobramos excessivamente, portanto, não mais. Exceto nós mesmos. Você. Você não era você e não mais todos nós? Velhos comportamentos são mesmo difíceis de largar, não? Só que não é a fragmentação de antes, acreditamos. Está vendo como pode se expressar sendo você mesmo neste instante? Poderia forçar para soar igual à outra aclamada que todos adoram e que todos citavam sem parar. Não faça isso. Isto aqui é você, João. Você é isto aqui. Você está se afogando na poça de vômito de você mesmo, João. E está respirando.
Está respirando ventos e trovoadas.
Ela se foi para ascender aos céus. Você não a perdeu; ela se transformou. Ela agora é uma das estrelas mais brilhantes do céu. E você agora respira os ventos e trovoadas dela.
Você sempre soube, João. Sempre soube...


**As opiniões expressas nesse post são de total responsabilidade do seu autor.**

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Idiotices do João [77]


Eu gostaria de ter algum orgulho. João se levantou do quarto escuro. Eu gostaria de ter algum orgulho. João, me ajude. Suas roupas brancas estão sujas da lama dela. Uma vez mais. João, por que você está insistindo nesta bobagem? Não há aqui um caminho. Vamos entender. Sabe onde está a sua solidão? Onde você a esconde? João, poderíamos fazer sentido, ao invés de somente falar para que isto aqui volte a ter palavras. As palavras fogem. Eu gostaria de mergulhar mais. O que eu gostaria de dizer. Estamos desviando. Abutres com cara de velhos caquéticos, estão desviando os seus pensamentos, estão te distraindo. Estão todos falando da série da moda ou da causa da ocasião, temos de ser importantes. Estamos nos repetindo. Está escuro aqui e estou só. Por que estou fazendo isso? Talvez encarar fosse ruim, o que estamos fazendo e o que pretendemos? Eu sei, mas não ouso falar em voz alta. Temos apenas que fazer. Certo? Nós? Está voltando com isso, meu caro João? Pensei que não houvesse mais nós. Com quem você está falando? Prolixo. Está vomitando sem vontade, apenas por fazer? Ora, ora. É um número poderoso, não deveria ser desperdiçado. A vida é uma ampulheta. A vida atual, este ano. Isto aqui não tem valor. Velha explosiva chata pra cacete. Cuidado para não se expor demais. Haveria dignidade. Haveria dignidade se soubesse fingir melhor. Se soubesse fazer como os outros que sabem mentir tão bem a ponto de parecerem interessantes, sérios, atraentes, apaixonantes. O rapaz cego da série impõe respeito, de poucas palavras, voz grossa, herói trágico, torturado, íntegro. Todos querem ser. Após todos estes anos, deveria saber fingir melhor, meu caro João. Já passamos da fase de nos chicotear e nos lamentar das ações erradas que tomamos. O que importa é o que aparenta ser, não o que é de verdade. Você mesmo já se apaixonou por imagens. Se apaixona. Será? Será que você realmente ama os defeitos de outro alguém como tanto alega? Será será será? O que Maria diria disso? Não vamos falar de Maria agora. Não ouse. Fique em silêncio. Você sabe o que acontecerá. O futuro é sempre incerto, não há o que temer. Você já sabia. Será que teremos de fingir melhor? Todos são vulcões, desesperados, querem ser olhados, admirados, respeitados, amados. Sou um Conquistador, que nem diz a música. Você é meio patético, não é? Na escuridão, as músicas dizem muitas coisas. Aquela música da moça bonita diz pra você perdoar a si próprio, diz que as trevas irão embora pela manhã, que todos cometem enganos e que as tristezas vêm e vão como as estações, sem motivo algum, você teve de pausar a música da outra bonita moça, a torturada, todas são torturadas, todos, músicas bonitas sobre si próprios, amores perdidos, você ama alguém, meu caro João? Você sem dúvida não sabe o que é isso, alquebrado nesse seu canto, nessa idade não é idade de falar sobre isso, meu menino João, falar de amor é para os jovenzinhos, o que é a vida, João? O que diabos você quer da vida? Você sabe, você só não fala em voz alta, não tem coragem, é isso? Maria não está aqui, embora esteja, não idealize, vai espantar, você sabe, quem idealiza não compreende, você deveria ser mais esperto, deveria saber fingir melhor, você não tem nenhuma classe, meu caro João, mas ao menos bato palmas porque escalou o penhasco e encontrou a flor, a flor que não estava lá até que você subiu, é disso que estou falando, faça mais sutliezas subentendidas, por gentileza, assim não atrai ninguém,  quem compreende, tenho que trabalhar com todas as clientelas, foi o que foi dito, mas não é isso que se quer, pare de falar, João, pare de se revelar demais, quantos mistérios teríamos que fingir? Deveríamos ter ido no evento, talvez, deveríamos, e ao projeto que as pessoas perguntam e solicitam? Esporádico, aos quantas seres que rastejam na sua garganta, moscas, vermes, o que se passa nesta sua cabeça, João? Pare de fingir que é inteligente, pare de fingir que é importante, você não tem coragem de falar em voz alta o que se passa na sua alma de verdade, você não tem coragem, você está sozinho no escuro há dias, há meses, você se esconde, se oculta, você se fortalece, se fortalecer do quê? Você será mesmo o maior do mundo? Isso é um objetivo infantil, ser maior em quê? É que nada tem sentido, no fim vamos morrer e seremos todos devorados pelos vermes da mesma forma. É por isso que você se agarra tão firmemente a símbolos, meu caro João? Você daria a sua vida para que… para nada. Se eu fosse a chuva, que une os eternamente distantes céu e terra, eu poderia unir meu coração ao coração de outro alguém? Você já disse isso, João, e está imitando isso de outro lugar, na cara dura, cara dura, que clichê horroroso, por que você está se criticando outra vez, João? E elas que te odeiam pelo texto? Você nunca vai se livrar dessa culpa? Você vai se culpar para frente? Você vai se lamentar para sempre? Seu estúpido! Você está se xingando de novo. Agora é aquela música, falso é a nova realidade, diga-me qualé que é, realidade é todo um trato, falso é o novo real, que tradução horrível, feita de qualquer jeito, aonde você quer chegar, João? Você sabe como tudo terminará, você já sabe como vai ser, então por que essa ansiedade? Por que essa insegurança? Finja ao menos mais certeza e seriedade, continue fazendo e aguarde, aguarde, tudo dará certo sim, pois, afinal, você é o maior de todos, meu caro João.

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quinta-feira, 19 de março de 2015

A decadência de quatro portas pregadas em janelas de zinco


O pó se acumulava há anos no pé que havia deixado colado ao antepé que produzi ao entrar, hesitante, receosa de que perceberiam que aquela perna não era minha. Andávamos juntas há muito tempo, embora fosse uma parca representação do que um dia fora meu sustentáculo. Dois decassílabos pobres, era tudo que eu era. Não havia verso alexandrino me esperando. Nunca houvera. Ouvia agora há pouco cá dentro uma voz ressabiada que queria se mostrar verde, queria se revelar azul e se colocar rosa mas só conseguia se apresentar como hachura de luz, sem saber que a sombra não era necessariamente ruim. Talvez fosse útil para desvendar a casa. 
Uma perna semi descoberta se apertava entre duas cortinas para esconder a razão de sua presença. Não era necessário explicar o tabu que se definia pela atitude da almofada para com o sofá, que só queria saber de sumir naquelas curvas e ser engolida por toda aquela solidez macia. Não havia espaço para respirar ali, então me ausentei por duas batidas do coração. Estar distante daquelas cores características me fez feliz, mas também me fez vazia, e quis voltar para reconstituir a dor, antes que tudo o mais me fosse tomado. Ao menos a dor ainda estava lá. 
Pregada em uma janela de zinco seco, a entrada para a dor estava observando que posição eu ocuparia na casa que aos pedaços se encontrava, aos pedaços foi levantada e aos pedaços seria derrubada mais uma vez. Não por ódio, nem por luta, mas por resolução. A resolução que um dia ocupou por mais de meio segundo meu rosto me fez adentrar novamente a casa. 
A dúvida acerca da penetrabilidade da estratégia que segurava a segunda porta na janela me fez checar duas vezes se a minha sombra havia entrado junto comigo, pois, às vezes, ela me abandona e isso me revolta. A perda do reflexo na ausência é a perda de definição do ser e de concretude, pois nada se é se não há oposto, reflexo ou contrário. Como a terceira porta não tinha projeção, não havia quarta porta. Decidi sentar no chão e observar o pó que se acumulava ao pé da janela semicerrada por quatro portas existentes no pensamento de todos aqueles que acreditavam ser possível existir no vazio. Sonhei. Acordei. Andei. A floresta que me habita agora sempre anda comigo, sozinha. 

*Texto protegido pela lei de direitos autorais.
*Escrito por Fernanda Marques Granato. 


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