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sábado, 27 de agosto de 2011

Ausência de margem

Os números na porta não eram meus. Eram de posse do ar revolto que um dia incorporara todos aqueles reconfortados sabores. O sabor estava há pouco em minha mucosa, desejando que a insensibilidade o possuísse.
O paladar não era significância de grande porte para que a pressão atmosférica fosse restaurada. A máscara se escondeu displicentemente debaixo das almofadas verde-melindroso. O meu disfarce havia decretado a guerra, e me impedia de inserir meu rosto desprotegido no ar cortante da rua por demais civilizada.
Perdi a conseqüência na barbárie, e nada que me fosse entregue em mãos produziria o efeito irrecuperável. O inesperado me revelou o muro que eu não era capaz de apreender com a minha visão turva do além-pátria. Sempre estivera na contracorrente de um abismo doce. Vozes desconexas perpassavam a fresta entre o respirar e o olvidar, e eu não me apoiava em nenhuma madeira concreta o suficiente para que o calor desabrochasse em minha oleosa superfície epidérmica.
O violino me intimidava a reagir, porém todo o físico se encontrava fixo em uma posição rígida. A rigidez não era límpida. O calor tardava a comparecer, e o organismo se via refletido em águas revoltas que se negavam a se unir a qualquer pureza compartilhada. Nunca foram minhas. Sempre foram a fuga. A fuga é sempre solitária. Não há mosaico.
Multidão.

**As opiniões expressas nesse post são de total responsabilidade do seu autor.**

Um comentário:

  1. algumas coisas eu nao entendi, acho que o final foi brusco demais pra mim... mas tá bonito~

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