quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Notícias de Quinta [144]

Oi. Voltei e estou bem (mentira, queria estar morta mas isso não vem ao caso).

Enquanto estive ausente o Kabral e a Fernanda publicaram textos novos então recomendo que vocês leiam:
http://nossocadernoembranco.blogspot.com.br/search/label/kabralices
http://nossocadernoembranco.blogspot.com.br/search/label/Fernandices

Não queria falar de crise hídrica mas só se fala disso esses dias. Especialistas vinham alertando há 10 anos e nada foi feito, então agora o Alckmin quer tirar o dele da reta mas não dá né cara, porque você garantiu na eleição que não ia ter falta de água. Agora a conversa é toda sobre o que vai acontecer quando a água acabar de vez e o que podemos fazer pra amenizar pelo menos um pouco a situação. E não é só em São Paulo que a água tá faltando. No Rio de Janeiro até os jardins públicos estão secos.

O jeito é tentar não se matar e ficar olhando foto de lingerie na internet, isso enquanto não acaba a luz.
(Ótima a matéria do Terra sobre suicídio, deem atenção a isso e não a trollagem das fotos de lingerie.)

Lei federal proíbe a exposição e venda de animais em vitrines e gaiolas.

Taxistas usam aplicativos de celular para assediar mulheres. Deixa eu entender; não pode andar em paz na rua, não pode andar em paz no transporte público e agora também não pode andar em paz no táxi. Mas o que mais me incomodou na matéria é que as vítimas preferiam não denunciar os caras pras empresas sendo que É A PRIMEIRA COISA que se deve fazer nesses casos. Pode ter medo não, o medo engole você.

Esqueça tudo o que você sabe sobre AIDS e leia esse texto do Jovem Soropositivo.

E de bônus um texto pra você que é contra as cotas e pra você que utiliza as cotas de forma errada agindo de má fé e tirando a vaga de uma pessoa que provavelmente merece mais que você.

Não tem vídeo hoje porque não tive tempo de procurar.

**As opiniões expressas nesse post são de total responsabilidade do seu autor.**

sábado, 17 de janeiro de 2015

Os despropósitos de uma gota suja



Quando uma gota se debruça sobre um papel, ela sempre sabe o que fazer, o que dizer, onde ir. Nunca nenhuma gota precisou de cursos preparatórios ou de conselhos profissionais. Nenhuma gota conhecida (exceto as já falecidas) necessitou de orientação vocacional ou de reopção de curso. Nenhuma gota se diz insatisfeita em seu relacionamento com o papel, pois a superfície branca sempre dá o que a gota rotunda precisa: espaço livre para ser preenchido pela imaginação ou, no caso das gotas, por uma umidade característica dos bem-nascidos. 
Nas cidades das gotas, não há hierarquia social: toda gota sabe que pertence a uma só categoria, a das indissolúveis. A gota não precisa de uma academia que a ensine a adotar a forma correta, nem necessita de outra academia que a demonstre como pensar ou como se adaptar à vida social. A gota já nasceu adaptada, pois seu formato é todo e nenhum: todos que se aproximam são incorporados, interpretados e incompreendidos desde o momento do primeiro contato com a sua superfície aquosa.
Os poucos elementos químicos sabem a que vieram e exercem sabiamente sua função estendendo os usos da matéria e a sua capacidade de acumulação. Sabem que o formato é dependente do físico exterior do recipiente que os envolve. Sabem que a excentricidade do pensamento dependerá do hospedeiro. Sabem que a sociedade começou na unidade conhecida e mantida por toda gota que se considera digna. 
Em uma esquina esquecida, debaixo de panos mortos e saberes ignorados, encontrava-se uma gota suja. Exilada. Renegada. Excluída. Isolada. Nada sabia sobre a forma das gotas, o pensar como todo ou a existência coletiva. Nada entendia de comportamento ou destino. Sabia apenas que sua presença  neste mundo duraria somente até o próximo nascer do sol. Neste momento secaria. Para jamais retornar. Outono. 


*Texto escrito por Fernanda Marques Granato.
** Texto protegido pela lei de direitos autorais. 



**As opiniões expressas nesse post são de total responsabilidade do seu autor.**